Pular para o conteúdo principal

Heraclitianas (Primeira Parte)


Aforismos:


1. O homem ágil, mantém afiada a espada, a mente quieta e o coração em chamas.
2. Sem paixão o pulso falha.
3. Coragem é virtude do homem solitário.
4. Um punhado atrai o fraco.
5. Sobre sonhos rasos e inconclusos, gritam em vôo corvos famintos, esperando sobre a alma deste homem, deste tempo torpe que empalidece.
6. Não há segurança por trás de símbolos.
7. O homem frágil deve manter a cova aberta.
8. O homem forte tranca a casa, lustra a arma e mantém o fiel cão ao lado.
9. O propósito de cada elemento é o todo; do chegar o caminho; do murmurar: o falar consigo; do desafiar: o seguir em frente; No acordar, o descobrir-se. Sim, um coração hospitaleiro deve estar pronto para a guerra.
10. Existem contratos invisíveis, silenciosos e espúrios. Histórias velhas e passivas, seus nomes: moral e ética. O cristianismo é seu solo e as fraquezas dos homens seu fertilizante.
11. Entre todos os homens, resultam da civilização, uns poucos humanos e outros tantos porcos.
12. Não há limites para quem vê. Não parar. Manter o intento. Sem pressa, fluir na jornada: seguir, sem jamais desviar os olhos do infinito.
13. Maldições escatológicas, mitos: risos e risos; cinzas e esterco, à beira das estradas em ruínas: sempre haverá.
14. Pode minha mente dividir-se em mil pássaros e mil cavalos podem pisotear meu coração, pois são mil olhos a te buscar em meu espelho e, meus pés seguem somente, na direção que apontam os bicos dos sapatos.
15. Um guerreiro distraído é o mesmo que um palhaço sem piada.
16. Um homem sem cavalo, vale por mil cavalos sem homem.
17. Para subir uma montanha, mais vale uma corda que coragem.
18. Na hora do 'Ângelus', o bom de muita chuva é ver o patíbulo vazio, a catedral fechada e os anjos encharcados em meio ao cio.
19. Queimar altares é desenhar montanhas na areia; celebrar o que não pertence a ninguém; chamar de vitória ao que denominam culpa e sorrir quando um falso inocente for supliciado.
20. Quero ouvira nona de Beethoven enquanto agonizo.
21. Esta coisa chamada homem renasce mil vezes e mil vezes agoniza o sofrimento falso de que a vida é uma só.
22. Sangue, mentiras e trevas são teu nome: civilização. A injustiça é o teu alimento e a escravidão tua glória.
23. Uns poucos homens de bom brio vieram até mim e bradaram: revolução! Revolução! Eu ri, dobrei a página do livro e fui dormir.
24. Para chegar íntegro ao fim, é precioso encharcar-se de idéias para depois, explodir em brutalidade.
25. Um rei deposto é um mendigo sem marquise.
26. Um ente querido falecido, é um pássaro a ser solto.
27. Frutos que caem da sobra da memória contaminam o presente.
28. Semente se muito amarga, tem mais chance de ser planta.
29. Pássaros exigentes se extinguem após catástrofes.
30. O pórtico existe e sobre este o hoje. Ao meio dia a sombra aponta o instante e o próximo passo é o agora.
31. Para a vingança o homem é onívoro e frente a morte é um carniceiro.
32. Nos grandes aglomerados: os maiores buncker's.
33. A brevidade do absoluto silêncio antecede a noite eterna.
34. O menos fortalecido pela história é o vencedor.
35. Comida das mãos do inimigo é tortura.
36. A modernidade é um ponteiro sobre destroços.
37. O homem que tudo sabe está morto.
38. A morte é silenciosa mas voa rápido.
39. A verdade suprema é a mentira perfeita.
40. Saber tudo sobre é saber nada além.
41. Para trair é preciso confiar.
42. O medo de um homem é o seu melhor amigo.
43. Quem joga: trai. 
44. Coragem sem planejamento é tolice.
45. É preciso partir vazio se queres recolher carga no caminho.
46. Só o boi pode ignorar onde está, de onde veio e pra onde vai.
47. Com o bojo rasgado não se pode juntar esperança.
48. Quando juntam-se palavras e mais palavras, e equação se torna inexata.
49. Incalculável é a quietude; Definitivo é o caminho; A luz é o instante exato; A sombra, as linhas que agora escrevo e o meu destino, a brisa que no rosto aparo.










EnD

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ante a Passágem de Helena K.

Ante a Passágem de Helena K. ao som de “Gaivotas” do Blindagem I A manhã chega Os pássaros cantam Folhas balançam Botões florescem A erva cresce A erva azeda Os frutos caem Estelas somem A maré muda A lua enche O dia nubla O Sol não surge A vida corre Os homens passam Os rios viajam Tudo flui Acelera o pulso A vida stagna O sonho enfebrece Não posso dizer: _ Lázaro, vem! Mas estás viva Vida em palavras Pequenas asas luzes acesas A província mais pobre Choram hai-kais lamentam tankas Eu balbucio: amor meu ! A tarde se foi nós vamos correr Vamos cantar que alguém amado foi realmente alguém... e morreu! II. (póstumo) (†)...E para a Primavera deste nosso amor Sorrisos encantados onde você for Tão bela e rara, Que o meu coração enfebreceu ao som de um tambor Que bate forte Que bate dentro Trazendo a sorte E o momento De estar atento a tudo o que grita em meu peito Aceito o fato e te enfeito em minha memória Pra vencer o tempo... (...

Sobre Corações Maciços (Poema Espelho)

"Se alguém chegasse à minha despretenciosa cabana, teria lhe oferecido as boas vindas com uma recepção tão suntuosa quanto um homem pobre pode oferecer." (Thomas De Quincey - em 'Confissões de um Comedor de Ópio'). Sobre Corações Maciços (Poema Espelho) Para Thiago Jugler &Isabela Socrepa, Iko Vedovelli & Evelim ...construir pedaço a pedaço num coração em cores e tijolos vermelhos incandescentes brilhantes brilhantes incandescentes vermelhos tijolos em cores num coração pedaço a pedaço construir...

As Três Pedras I (epístola à Pátria)

“Embora seja este o discurso, sempre, os homens tardam, não só antes de ouví-lo, como logo que o ouviram; pois, mesmo que todas as coisas aconteçam de acordo com este discurso, mostram-se semelhantes a inexperientes ao experimentarem tais palvras e atos que eu persigo segundo a natureza, distinguindo cada coisa e mostrando como ela é. ‘Mas os homens ignoram o que fazem depois de acordarem, como esquecem o que fazem dormindo” (Heráclito) As Três Pedras I (epístola à Pátria) Foram tão bons os sonhos juntos amiga, antes que a realidade se interpusesse à nós. O futuro então traçado em rumos claros, dispendio do ardor comum: a efervecência. Pra então, se desdobraram os desastres o real rompendo em bufa ária esnobe, e com a imágem distantes destas uvas, destes maltes as Alices, e as Isoldas estão geladas o amor tecido e alinhavado, acabado. Este é o nosso tempo, amiga, as pessoas já não sonham juntas contrários os não resignados as lutas poucas os medos muitos...