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Lutuoso Soneto Lúdico em Três Compassos Para Duas Meninas






p/ R.A.S.P pelo que nos liga e não esqueceremos. 

(...) “Não és bom nem mau; és triste e humano
Vives ansiando em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.” (...)
(Olavo Bilac – no poema ‘Dualismo’ no livro “Tarde” – 1919)




I
Eu não sei se teu corpo bastaria
sem que o medo da dor ao sol se inflame
Eu não sei se tua alma esqueceria
as sutilezas de tais sonhos delirantes


Eu não sei se meu corpo calaria
ante aos sentidos mais preponderantes
a alma sabe que a paixão se reteria
se as emoções não agitassem tão constantes


Na infância não se via um mundo impuro
a vida se fazia feliz na inocência
que hoje cede ao anormal e ao prematuro


nos pesadelos desta nossa existência
visualizando no futuro um mar escuro
onde o sonho não terá mais resistência.






II
Se hoje plácido este temor do luto
finge a morte ser barreira do inferno
tormentas de um mistério quase mudo
em que tudo está num fenecer eterno


Quando o calar refletir quase tudo
e a razão se fizer sentido alerto
haverá na demência da ilusão um escudo
pras decepções deste padecer incerto


E se teu corpo num entregar calado
se vulgarizou decadente num festim
então saciado ficou meu corpo escravo


Num poema meu florindo o teu pasquim
onde entre pernas minha língua eu encravo
ávido em festas destinadas a este fim.






III
Há fendas onde as carnes não apodrecem
pois devassos incrustados em marfim
devastados alinegros se entristecem
anabolismo de um complexo arlequim


Afogado nestes beijos que arrefecem
quais pinturas abstratas sem um fim
há loucura em rostos velhos que estremecem
em teu corpo há demônio e querubim


Comi pêssego com dois anjos assassinos
ledo engano que existe em meu olhar
despertando todo o instinto do menino


Que um dia então sonhando com um mar
certamente nada mais que um sonho mítico
resistente num sorriso ou num calar.






EnD






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