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Segunda Canção de Despedida




“Os olhos apagaram-se por um instante
assim como se eu e você não estivéssemos
mais ali, como se ele mesmo fosse outro” (...)
“Um coração minúsculo tentando
Escapar de si mesmo
Dilatando-se
À procura de puro entendimento” (...)
“Hilda Hilst – em “Com Os Meus Olhos de Cão”


Segunda Canção de Despedida

Para  Wilson Bueno

“Quando adentro a estos quadrantes del
mistério manífico de existir, de que exista
el pútrido, el sórdido, el luxuriante, quando
me flagro asi, quase suprema, torna-se unas
quantas cosas dentro, cerca de nuevo, del
infierno.”
(Wilson Bueno – em ‘Mar Paraguayo’)



Estou cantando amigo
E sinto o mundo afundando em insignificâncias
Onde o tempo some e o que é tangível
padece, sem que a luz se extinga.
O tic-tac do universo já não é silencioso
E é dentro do homem que o relógio enferruja
Descompassa e não desperta.
Estou sempre morrendo amigo
E comigo dilui-se qualquer lembrança da
impermanência humana
este conjunto de vagas impressões
e insofismáveis segredos
para os quais
nunca encontramos resposta.

Segue,
Sê audacioso
Fala sobre estes ouvidos que não mais te escutam
Olha com teus olhos o que já não percebo
Deseja por mim
E come com volúpia deste fruto
Que já te despreza
Está composta a definitiva equação
Cujo resultado é metáfora obscura
Não há explicação para o que não tem nome
E é em silencio que a boca do universo saliva
Escancara
E nos engole.
Para!
Agora, pausa... descansa e canta amigo
esquecendo que o fim espreita
e que a trajetória devora todos os que são
e fragilmente sendo
são só palavras.

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