Pular para o conteúdo principal

Postagens

Sobre Lentilhas, Lobos, Bois e Notas de Falecimento

Danton Robespierre Graco Babeuf Sobre Lobos, Lentilhas, Bois e Notas de Falecimento p/ Danton, Robespierre e Graco Babeuf Sim! Eu sei muito bem de onde venho! Insaciável como a chama no lenho, eu me inflamo e me consumo. Tudo que eu toco vira luz, tudo que eu deixo carvão e fumo. Chama eu sou, sem dúvida. (F. Nietzsche- em Ecce Homo) Sim! É cedo demais para dizer que é tarde Sim! Eu sei desta dor que arde, mas também sei o que te espera, se conseguires. (Joel Moreno – em sua Ácidopsicoterapêutica ‘Loteria Poética’). Do vício em não esperar: o desespero a vontade além dos passos os pratos destemperados a insossa sopa evaporando nas mãos de grãos que rastejam sobre a líquida mãe à deriva terra nada santa, sim! a da ceia: não bebamos deste cálice sangrento e sejamos os grãos que defeituosos caem banidos, varridos, lançados ao longe e esquecidos da boca do tempo, das lentilhas: mortalhas migalhas salivantes...

'A Profecia' Segundo Joel Moreno

...e um dia ele percebeu que nada mais poderia fazer, os reatores atingiram o estado crítico. Estavam inteiramente contaminadas as forças de sustentação à vida e a morte: consumindo tudo, do mais forte ao mais fraco, do mais culto ao mais tolo, do mais rico ao mais pobre, do mais inocente ao mais criminoso, sem se importar com a procedência, conveniência, concorrência, competência & Cia. Ltda... ou sociedade anônima. Os profetas tinham avisado, os poetas alertado, os loucos balbuciado... mas não adiantou os cantos, os sussurros, os versos foram embalados como souvenieres, o caos da vida extinguiu-se e tudo passou a girar no eixo da ordem silenciosa e misteriosa da morte... (Joel Moreno - em 'Loteria Poética' - 26/01/1998)

Ciclope Enguiçado

Ciclope Enguiçado I Senão d’ouro, de que são feitas as palavras que tremulam os lábios e te partem as mãos? Dos bolsos vazios inundam dúvidas. Nos versos mais duros a boca úmida. A cabeça pende. Idéias não secam e a mina com o seu rutilar de tolo se acalma. As mãos partidas vêm da lida. A boca trêmula da angústia. E as palavras... Ah! as palavras... Senão d’ouro são palavras; E seu valor: vale o quanto pesa cada ouvido; ou o quanto necessita cada coração silenciado por simulacros ou pelos fatos. Pois vez em quando é de ouro o silêncio, outras vezes é obstáculo. Então, no terceiro olho vicejam e se escondem as metáforas. E em cada verso com seu rosário de palavras há numa pausa que voa, uma imagem que evapora, e um fim pra tudo que ecoa. II Depois... Sim! Sim! Sim! O big-bang, Planck, um Sol um Galileu, um ensaio ante a cegueira e... ...um novo grito... Renascimento ou Enquanto Durar o Menino (...) Então como um coro, a paixão chegou mais fundo. Algum interesse maior estava em jogo,...

Uma Estranha no Ninho

Uma Estranha no Ninho (Castañeda Song) p/  J. Richard and mi cumpadreYellow Por que sabemos o que devemos: Que chegue logo o iniciático meio dia. ao som de ‘The Gates of Delirium’: YES I No exercício da liberdade está o preço da vida Na repetição da loucura o desapego e a sombra Na chuva que bate à janela repousa o cigarro apagado A delicadeza da história sem rumo De um cavalo que morre De um caminho sem volta, em Ocucaje De Los Andes: um paraíso esquecido. Repara o pequeno brilho na mínima aste que paira Tal qual pluma não pousa Dissolve Interrompe Transparece Não foge Reluz. É o menino que olha sem pensar Sorriso que corre a vida Que vôa sem querer Indo além da memória Piscando Precipitando núvens O medo refazendo a história Arquitetando rudezas Desprezando a noite O sol despindo-se só Sem conflitos os planetas Dissolvidos os sistemas Meus amigos dormem Tal qual sonham seus meninos Com travessos gritos e a certeza Alegrando com leveza e prontidão O meu hospitaleiro cora...

Do Despertar da Consciência

Do Despertar da Consciência P/ Florbela Espanca ao som de MarsVolta Cassandra Gemini-Plant ‘a Nail in The Navel Stream’ Amanheço sempre cego e ouço: Há sempre uma verdade em cada Lenda vaga. Ao meio dia penas pendem sob a chuva: Dor de pássaro sem asa é folha morta. Declinam as sombras o seu inverso E um distinto beijo amargo Faz-me claro, suave, e explodido em você: raios do meu entardecer sem fúria.

Ante a Passágem de Helena K.

Ante a Passágem de Helena K. ao som de “Gaivotas” do Blindagem I A manhã    chega Os pássaros cantam Folhas balançam Botões florescem A erva cresce A erva azeda Os frutos caem Estelas somem A maré muda A lua enche O dia nubla O Sol não surge A vida corre Os homens passam Os rios viajam Tudo flui Acelera o pulso A vida stagna O sonho enfebrece Não posso dizer: _ Lázaro, vem! Mas estás    viva Vida em palavras Pequenas asas luzes acesas A província mais pobre Choram hai-kais lamentam tankas Eu balbucio: amor meu ! A tarde se foi nós vamos correr Vamos cantar que alguém amado foi realmente alguém... e morreu! II. (póstumo)   †) ...E para a Primavera deste nosso amor Sorrisos encantados onde você for Tão bela e rara, Que o meu coração enfebreceu ao som de um tambor Que bate forte Que bate dentro Trazendo a sorte E o momento De estar atento a tudo o que grita em meu peito Aceito o fato e te enfeito em minha memória Pra vencer o tempo...  (†) III. Dorme, dorm...

Para o Anacoreta

(...) “Mãos! De que me servem o teu silêncio? (...) Em meu rosto, alternam-se tigres feridos e canoas guiadas por homens em pé”. (...) (Fernando Paixão - Mosaico - Nicolau) 25.   Para o Anacoreta (ou um túmulo emprestado) p/  Fernando Pessoa, Mario de Sá Carneiro e Toninho do blues ao som de “Glory Box”do Portishead Morres vestindo o que tinhas de melhor. Então em negro, Correm velhas senhoras para assegurarem-te A decência aos panos, Certas de que com os teus, Não farias boa figura nem mesmo Ao teu sinistro cadáver. Espalho com minhas mãos um punhado de terra... Não te tocarão! Vais de Casimira inglesa Oriunda do espólio de um recém Falecido Barão. Ataúde barato Num buraco emprestado Vais, vais... Sombrío e sem a certeza que tenho De que vais sem flores, E que ao menos esta noite, (como gostarias) Enquanto em vigília prossigo, Dou-te minha palavra De que urubús e anjos Não te tocarão!