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Ante a Passágem de Helena K.

Ante a Passágem de Helena K. ao som de “Gaivotas” do Blindagem I A manhã chega Os pássaros cantam Folhas balançam Botões florescem A erva cresce A erva azeda Os frutos caem Estelas somem A maré muda A lua enche O dia nubla O Sol não surge A vida corre Os homens passam Os rios viajam Tudo flui Acelera o pulso A vida stagna O sonho enfebrece Não posso dizer: _ Lázaro, vem! Mas estás viva Vida em palavras Pequenas asas luzes acesas A província mais pobre Choram hai-kais lamentam tankas Eu balbucio: amor meu ! A tarde se foi nós vamos correr Vamos cantar que alguém amado foi realmente alguém... e morreu! II. (póstumo) (†)...E para a Primavera deste nosso amor Sorrisos encantados onde você for Tão bela e rara, Que o meu coração enfebreceu ao som de um tambor Que bate forte Que bate dentro Trazendo a sorte E o momento De estar atento a tudo o que grita em meu peito Aceito o fato e te enfeito em minha memória Pra vencer o tempo... (...

Sobre Lentilhas, Lobos, Bois e Notas de Falecimento

Danton Robespierre Graco Babeuf Sobre Lobos, Lentilhas, Bois e Notas de Falecimento p/ Danton, Robespierre e Graco Babeuf Sim! Eu sei muito bem de onde venho! Insaciável como a chama no lenho, eu me inflamo e me consumo. Tudo que eu toco vira luz, tudo que eu deixo carvão e fumo. Chama eu sou, sem dúvida. (F. Nietzsche- em Ecce Homo) Sim! É cedo demais para dizer que é tarde Sim! Eu sei desta dor que arde, mas também sei o que te espera, se conseguires. (Joel Moreno – em sua Ácidopsicoterapêutica ‘Loteria Poética’). Do vício em não esperar: o desespero a vontade além dos passos os pratos destemperados a insossa sopa evaporando nas mãos de grãos que rastejam sobre a líquida mãe à deriva terra nada santa, sim! a da ceia: não bebamos deste cálice sangrento e sejamos os grãos que defeituosos caem banidos, varridos, lançados ao longe e esquecidos da boca do tempo, das lentilhas: mortalhas migalhas salivantes...

'A Profecia' Segundo Joel Moreno

...e um dia ele percebeu que nada mais poderia fazer, os reatores atingiram o estado crítico. Estavam inteiramente contaminadas as forças de sustentação à vida e a morte: consumindo tudo, do mais forte ao mais fraco, do mais culto ao mais tolo, do mais rico ao mais pobre, do mais inocente ao mais criminoso, sem se importar com a procedência, conveniência, concorrência, competência & Cia. Ltda... ou sociedade anônima. Os profetas tinham avisado, os poetas alertado, os loucos balbuciado... mas não adiantou os cantos, os sussurros, os versos foram embalados como souvenieres, o caos da vida extinguiu-se e tudo passou a girar no eixo da ordem silenciosa e misteriosa da morte... (Joel Moreno - em 'Loteria Poética' - 26/01/1998)

Ciclope Enguiçado

Ciclope Enguiçado I Senão d’ouro, de que são feitas as palavras que tremulam os lábios e te partem as mãos? Dos bolsos vazios inundam dúvidas. Nos versos mais duros a boca úmida. A cabeça pende. Idéias não secam e a mina com o seu rutilar de tolo se acalma. As mãos partidas vêm da lida. A boca trêmula da angústia. E as palavras... Ah! as palavras... Senão d’ouro são palavras; E seu valor: vale o quanto pesa cada ouvido; ou o quanto necessita cada coração silenciado por simulacros ou pelos fatos. Pois vez em quando é de ouro o silêncio, outras vezes é obstáculo. Então, no terceiro olho vicejam e se escondem as metáforas. E em cada verso com seu rosário de palavras há numa pausa que voa, uma imagem que evapora, e um fim pra tudo que ecoa. II Depois... Sim! Sim! Sim! O big-bang, Planck, um Sol um Galileu, um ensaio ante a cegueira e... ...um novo grito... Renascimento ou Enquanto Durar o Menino (...) Então como um coro, a paixão chegou mais fundo. Algum interesse maior estava em jogo,...

Uma Estranha no Ninho

Uma Estranha no Ninho (Castañeda Song) p/  J. Richard and mi cumpadreYellow Por que sabemos o que devemos: Que chegue logo o iniciático meio dia. ao som de ‘The Gates of Delirium’: YES I No exercício da liberdade está o preço da vida Na repetição da loucura o desapego e a sombra Na chuva que bate à janela repousa o cigarro apagado A delicadeza da história sem rumo De um cavalo que morre De um caminho sem volta, em Ocucaje De Los Andes: um paraíso esquecido. Repara o pequeno brilho na mínima aste que paira Tal qual pluma não pousa Dissolve Interrompe Transparece Não foge Reluz. É o menino que olha sem pensar Sorriso que corre a vida Que vôa sem querer Indo além da memória Piscando Precipitando núvens O medo refazendo a história Arquitetando rudezas Desprezando a noite O sol despindo-se só Sem conflitos os planetas Dissolvidos os sistemas Meus amigos dormem Tal qual sonham seus meninos Com travessos gritos e a certeza Alegrando com leveza e prontidão O meu hospitaleiro cora...

Do Despertar da Consciência

Do Despertar da Consciência P/ Florbela Espanca ao som de MarsVolta Cassandra Gemini-Plant ‘a Nail in The Navel Stream’ Amanheço sempre cego e ouço: Há sempre uma verdade em cada Lenda vaga. Ao meio dia penas pendem sob a chuva: Dor de pássaro sem asa é folha morta. Declinam as sombras o seu inverso E um distinto beijo amargo Faz-me claro, suave, e explodido em você: raios do meu entardecer sem fúria.